Análise ao Vídeo "The Machine is (changing) Us: YouTube and the Politics of Authenticity"




O vídeo é uma gravação da palestra de Michael Wesh sobre os novos media e as novas formas de interacção que emergem no YouTube.
No início da palestra, o autor faz referência a duas obras literárias sobre como a sociedade seria em 1984: "1984" de Orson Wells e "Brave New World" de Huxley. Ao confrontar a visão de uma sociedade controlada pelo Big Brother, onde os livros são banidos e a verdade ocultada à população, com a visão de uma sociedade que consume informação até morrer de tédio, onde os livros são irrelevantes porque ninguém os lê e onde a verdade torna-se irrelevante devido à imensidão de estímulos, Wesh reforça esta última como a mais próxima dos tempos modernos. As pessoas consumem imensa informação, fornecida pelos media, aborrecendo-se até à morte.

Com isto em mente, Wesh apresenta a sua ideia que os media não são apenas ferramentas, mas sim uma ecologia muito própria. Os media, nomeadamente a Televisão, gerem as nossas conversações, os temas de conversa derivam do que foi apresentado nos media, citando inclusive McLuhan "We shape our tools, therefore our tools shape us".
Utiliza o exemplo de um estudo feito por Neil Postman:
Questão: Qual a sua opinião e o que pretende fazer sobre as importantes questões políticas no mundo?
Resposta: " We plan to do nothing!"
Esta resposta reflecte como o público foi moldado e entretido para se tornar indiferente a estas questões.

Para se ter relevância (ou algo se torna relevante de todo) é necessário estar na TV, a exemplo dos milhares de participantes no American Idol. Esta necessidade de atenção e de histerismo cultural resulta, em parte, do sentimento de "desaparecimento social" quando envolvidos numa sociedade controlada pelos media.
É uma herança social dos tempos da Industrialização, em que as pessoas já se sentiam sem sentido de existência e com sentimento de ausência de pertença nas grande cidades e linhas de produção nas fábricas.

Alargando esta perspectiva para à geração dos anos 80's, Wesh retrata a MTV generation como:
  • Materialistas
  • Narcisistas
  • Não são facilmente impressionáveis.
  • Com períodos curtos de atenção focada.

Há uma observação atenta que este comportamento também deriva da necessidade de identidade e como afirmá-la através da TV (ex: o surgimento dos reality shows). Exemplo deste retrato é uma citação apresentada por Wesh:
"In the midst of fabolus array historically unprecendent and utterly mind voggling stimuli…. WHATEVER!"

"Whatever" representa a indiferença como característica dominante da MTV geration.Mas sendo uma geração com muitas oportunidades e informação, porquê a indiferença? Estaremos mesmo a morrer de tédio? E porque têm tanto interesse em aparecer na TV?
É da opinião de Wesh, que o narcisismo desta geração resulta da oferta personalizada de media (programas) criados por pessoas muitas criativas e com grande investimento monetário, que apenas se destina a satisfazer os desejos dos consumidores de media.
Aqui a expressão "whatever " ganha outra dimensão. Representa uma manifestação do "Quero lá saber…sou o Maior!".
O narcisismo é mais uma revelação da procura de identidade na sociedade actual. A procura do autêntico "eu", como afirma Charles Taylor no seu livro de 1991, "Ethics od Authenticity".
No entanto, existem 2 perigos associados:
  • Modos centrado em si próprio para auto-realização, que provocam dissociação das restantes pessoas.
  • Negação de horizontes de significância, que conduz à fragmentação, resultando em múltiplas pessoas com múltiplas opiniões, não criando um sentido em comum.

Com o surgimento do fenómeno da Web 2.0 e dos novos media, surgiu uma nova oportunidade de explorar e encontrar o autêntico "Eu". Este fenómeno, segundo Wesh, é significante, pois:
  • Nós conhecemos-nos através das nossas relações com os outros.
  • Os novos media criam novas formas de interacção com outros.
  • Os novos media criam novas formas de conhecermos a nós próprios.

Tendo esta opinião em mente, Wesh decidiu desenvolver um estudo com os seus alunos, observando os comportamentos existentes no YouTube: Porque razão pessoas de todo o mundo partilham vídeos e o que caracteriza esta comunidade?
Uma das observações que mais se destacaram foi que as pessoas, ao contrário da filtragem que fazemos da nossa personalidade nas conversas cara a cara, no Youtube não existe esse comportamento. O meio de comunicação passa a ser uma webcam e não uma pessoa. Há como que um desbloqueio da personalidade, uma consciência de si própria mais profunda, por vermo-nos em tempo real, reflectidos digitalmente, embora seja com o intuito de comunicar para milhões de pessoas. A este processo cognitivo chama-se Recognição, processo que envolve uma atitude altamente reflexiva sobre si próprio, por se estar à promover a interacção com outros, mas estando a vermo-nos ao mesmo tempo. Este comportamento é observado nos vários vídeos que Wesh apresenta na palestra, sendo surpreendente observar este comportamento reflexivo em várias pessoas, de diferentes idades.

Devido a este novo media e analisando os comportamentos nele observáveis, Wesh acredita que estamos perante uma inversão cultural. Os indivíduos:
  • Expressam individualismo ,mas valorizam a comunidade
  • Expressam independência, mas valorizam as relações.
  • Suportam a comercialização, mas valorizam a autenticidade.

Há uma forte ênfase na autenticidade individual e liberdade de expressão, comportamentos nem sempre partilhados na esfera dos amigos e família. Como que se existisse uma libertação das suas opiniões, suportada por uma nova forma de comunidade (youtube), criando assim novas formas de auto-conhecimento.

Wesh defende que as pessoas que utilizam os novos media não estão interessados em criar os mesmos tipos de conversação já existentes. Uma interacção não regida pela televisão, mas sim pelos novos media que permitem novas formas de interacção e estruturas de conversação.
Daí Wesh concluir a sua palestra com uma nova referência ao termo "Whatever", antes um simbolismo de indiferença geracional, agora alterado para um movimento de manifestação cultural:
"I care. Let's do whatever it take…by whatever means necessary!"